Beber menos água pode prejudicar a saúde dos rins
Com a queda das temperaturas, é comum trocar o copo de água por uma bebida quente e, sem perceber, reduzir a quantidade de líquidos ingeridos ao longo do dia. O problema é que essa mudança de hábito pode trazer consequências para a saúde, especialmente para os rins. Isso acontece porque, no frio, o organismo reduz naturalmente a sensação de sede. Ao mesmo tempo, as baixas temperaturas favorecem a chamada “diurese do frio”, aumentando a produção de urina.
A combinação desses fatores faz com que muitas pessoas bebam menos água justamente quando o corpo continua precisando de hidratação. A situação merece atenção especial entre os idosos. Com o envelhecimento, a percepção da sede diminui ainda mais e os rins perdem parte da capacidade de concentrar a urina, aumentando o risco de desidratação sem que a pessoa perceba.

Dra. Magda Pupo pontua que a desidratação pode levar a sérios problemas nos rins
“A baixa ingestão de líquidos faz com que a urina fique mais concentrada e em menor volume. Isso favorece a formação de cálculos renais (pedras nos rins) e aumenta o esforço dos rins para conservar água. Em casos mais graves, a desidratação pode provocar lesão renal aguda, principalmente em pessoas mais vulneráveis, como idosos, pacientes com doenças renais, diabetes, insuficiência cardíaca ou que utilizam medicamentos diuréticos. Quando esse quadro se repete com frequência, também pode contribuir para a progressão da doença renal crônica”, explica a nefrologista do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (HSV), Dra. Magda Pupo.
Além disso, durante o inverno são mais comuns doenças como gripe, febre, gastroenterites, vômitos e diarreia, que aumentam a perda de líquidos e elevam ainda mais o risco de desidratação.
“Os sinais mais comuns de que o organismo pode estar precisando de mais água são sede; dor de cabeça; tontura; cansaço ou sonolência; urina mais escura; e diminuição da quantidade de urina. Nos idosos, esses sinais podem ser menos evidentes. Por isso, diante da suspeita de desidratação, é importante procurar avaliação médica”, aponta Dra. Magda.
Quanto de água devemos beber
A quantidade ideal varia conforme idade, peso, alimentação, prática de atividade física, temperatura do ambiente e condições de saúde. Como referência geral, recomenda-se que mulheres consumam cerca de 2 litros de água por dia e homens aproximadamente 2,5 litros, considerando tanto as bebidas quanto a água presente nos alimentos. “Pessoas com insuficiência cardíaca, doença renal avançada ou outras condições específicas devem seguir a orientação do médico, já que nem sempre aumentar a ingestão de líquidos é indicado”, orienta a especialista do HSV.
Criar pequenos hábitos pode facilitar a hidratação, mesmo quando a sede não aparece. Uma boa estratégia é beber água em horários fixos, como ao acordar, antes das refeições e antes de sair de casa, além de manter uma garrafa sempre por perto. Caso seja necessário, lembretes no celular também podem ajudar. Outra dica é incluir bebidas quentes, como chás, e sopas na rotina, já que também contribuem para a hidratação. Alimentos ricos em água, como frutas, verduras, legumes e iogurtes, também são aliados para manter o organismo bem hidratado.

Não existe uma quantidade única de água para todos, mas a boa hidratação é essencial







