“O isolamento mudou a relação das pessoas com a comida”, analisa especialista do HSV

A obesidade é, há muitos anos, uma doença epidêmica no mundo. Segundo dados da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (OBESO), atualmente 56% da população brasileira apresenta excesso de peso e 20% recebem o diagnóstico de obesidade. O médico endocrinologista e clínico geral do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (HSV), Dr. Caetano Munhoz de Domenico, explica que a prevenção da doença começa ainda na infância. 

Dr. Caetano Munhoz de Domenico, endocrinologista

“Quando a obesidade começa na infância nós a chamamos de hiperplásica, que é caracterizada não só pelo aumento no número de células adiposas, mas também pelo tamanho delas, assim como a obesidade que começou na vida adulta. Desta forma, a criança obesa muito provavelmente também será um adulto obeso, acarretando no desenvolvimento de patologias como o diabetes e hipertensão”, alerta o especialista. 

Uma das principais causas do excesso de peso na juventude é o sedentarismo que o uso exagerado da tecnologia trouxe. As brincadeiras que antes eram na rua, correndo, jogando bola e pulando amarelinha, hoje foram substituídas pelos jogos online, aplicativos de conversa e redes sociais. “As crianças geralmente são muito ativas, porque o metabolismo delas é assim. Além de monitorar os alimentos que estão sendo consumidos, é preciso estimular a prática de esportes e hobbies”, explica Dr. Caetano. 

Na fase adulta, os estudos apontam que doenças cardiovasculares como o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC), são a maior causa de morte no mundo e, na grande maioria dos casos, decorrente da obesidade. Em segundo lugar no número de óbitos, aparecem as doenças oncológicas, também ocasionadas pelo excesso de peso na maioria dos casos.

“A receita, em linhas gerais, é simples: dieta e exercícios físicos. Oriento que antes do almoço e do jantar, a pessoa coma um prato generoso de salada para diminuir a fome. A ação ajuda também em outra medida prática, que é não repetir o prato. Faça tudo o que você puder fazer, a pé. Deixe um pouco o carro na garagem, vá à padaria, na farmácia ou no banco, caminhando. Se for morador de apartamento, opte sempre pelo uso de escadas quando for sair. Na maioria das vezes, não é preciso dinheiro ou muito esforço para mudar a rotina”, esclarece o endocrinolista.  

Reflexos da Covid-19

O isolamento social transformou, positiva e negativamente, a relação da população com a comida. Em casa, sem a opção de sair, muitos se renderam a cozinha e entre pães caseiros, bolos e massas, as pessoas encontraram um refúgio e mantiveram a mente saudável. Em outras situações, a comida tornou-se uma válvula de escape para ansiedade. 

“Conheço pessoas que enfrentaram essa nova realidade de maneiras diferentes. Priorizando a saúde, muitos amigos próximos iniciaram o processo de emagrecimento. A pandemia não tem sido fácil, mas sem dúvidas é um grande agente de mudança dos hábitos e das relações humanas”, observa Dr. Caetano. 

A obesidade é o principal fator de risco para pessoas com menos de 60 anos infectadas com o novo coronavírus, apontam dados do Ministério da Saúde, mas comorbidade chama a atenção para um problema que sempre existiu. “Procurem um atendimento médico e um acompanhamento nutricional, se estiver dentro das condições. Cuide da saúde do seu corpo”, finaliza o médico.

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