Leucemia: sinais de alerta reforçam a importância do diagnóstico rápido

A leucemia é um grupo de cânceres que têm origem nas células da medula óssea e se manifesta principalmente pelo aumento anômalo de células sanguíneas imaturas, chamadas de células leucêmicas, que substituem as células normais e prejudicam a produção de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas. No mês do Fevereiro Laranja, campanha nacional de conscientização sobre a leucemia, o Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (HSV) alerta para a importância da atenção aos sinais iniciais da doença, reforçando que o diagnóstico precoce é decisivo para ampliar as chances de sucesso no tratamento e reduzir complicações, especialmente nas formas agudas, que podem evoluir rapidamente.

“Não existe uma causa única identificada para a maioria dos casos de leucemia. Em geral, a doença resulta de mutações genéticas em células da medula óssea que desregulam divisão e diferenciação celular. Entre fatores de risco reconhecidos estão: exposição à radiação ionizante; exposição a substâncias químicas como benzeno; história prévia de quimioterapia ou radioterapia para outros cânceres; determinantes genéticos e síndromes congênitas; além de idade e sexo (alguns tipos são mais frequentes em idosos, outros na infância)”, explica o hematologista do HSV, Dr. Felipe Ribeiro Bruniera.

Os sinais de leucemia variam, podem ser vagos nos estágios iniciais e progredir rapidamente, sobretudo nas formas agudas. Os sintomas mais comuns incluem fadiga, fraqueza e palidez (anemia); febre e infecções de repetição; sangramentos fáceis, sangramento nas gengivas e manchas roxas/hematomas; dor óssea ou articular, aumento de gânglios, baço e fígado; e perda de peso sem causa aparente.
“Diagnóstico tardio aumenta risco de complicações; por isso, a investigação a partir de um hemograma alterado, seguida por exames confirmatórios (aspirado/biopsia de medula óssea, imunofenotipagem, citogenética e testes moleculares) é essencial”, reforça o especialista.

Campanha de combate à leucemia é caracterizada pela cor laranja (Foto: imagem gerada por IA)

O tratamento da leucemia varia conforme o tipo e o risco da doença e, em geral, combina diferentes abordagens. A quimioterapia segue como base, especialmente nas formas agudas. As terapias-alvo, que atuam em alterações moleculares específicas, e a imunoterapia, incluindo anticorpos monoclonais e terapias celulares em casos selecionados, representam avanços importantes. Em situações de alto risco ou recidiva, o transplante de medula óssea pode oferecer chance de cura, embora envolva riscos e exija centros especializados. O suporte clínico, com transfusões, antibióticos e manejo de complicações, é essencial ao longo do tratamento. A integração entre diagnóstico molecular e terapias específicas tem ampliado a sobrevida, apesar das desigualdades de acesso no país.

De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o período de 2023 a 2025, o Brasil registra cerca de 11 a 12 mil novos casos de leucemia por ano. A doença está entre os dez tipos de câncer mais frequentes no país e é o câncer mais comum na infância. As regiões Sudeste e Sul concentram a maior parte dos diagnósticos, refletindo maior população e maior capacidade de detecção. Estudos apontam variações regionais e por faixa etária, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas ao diagnóstico precoce e ao acesso ao tratamento.

“Não há formas comprovadas de prevenir a maioria dos casos de leucemia e a sua prevenção ainda não é totalmente compreendida. Ainda assim, reduzir a exposição a agentes químicos como o benzeno, evitar o tabagismo, manter uma dieta saudável, exercícios físicos regulares, evitar radiação desnecessária, monitorar condições médicas e promover o acesso rápido aos serviços de saúde são medidas importantes. Campanhas como o Fevereiro Laranja têm papel fundamental na conscientização da população sobre sinais e sintomas da doença”, conclui Dr. Felipe.

Dr. Felipe fala sobre leucemia e os sinais de alerta

Related Posts