E se as vacinas nunca tivessem existido? Um olhar sobre o impacto da imunização na saúde

No Dia Nacional da Imunização, celebrado nesta segunda-feira (9), o Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (HSV) traz um questionamento importante: já imaginou um mundo sem vacinas? Pode parecer enredo de ficção científica, mas essa reflexão nos ajuda a compreender a real dimensão da imunização como um dos maiores avanços da medicina moderna. Conscientizar sobre o valor das vacinas é tão essencial quanto oferecê-las.
“Se voltássemos no tempo ou se simplesmente vivêssemos em um cenário em que as vacinas nunca tivessem sido desenvolvidas, estaríamos diante de um panorama muito mais sombrio. Doenças que hoje são raramente vistas, ou mesmo erradicadas, continuariam a causar surtos, internações e mortes em larga escala”, aponta a médica infectologista, Dra. Maria José Kassab Carvalho.
A varíola, por exemplo, que foi oficialmente erradicada em 1980 graças a campanhas globais de vacinação, ainda estaria entre nós, com uma taxa de mortalidade de até 30%, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. A poliomielite, causadora de paralisias e mortes, seria uma ameaça constante às crianças, principalmente nos primeiros anos de vida. Sem as vacinas contra o sarampo, coqueluche, difteria e tétano, viveríamos em alerta permanente, especialmente em comunidades com menos acesso à saúde.
Outras doenças, como a influenza, provocariam surtos anuais muito mais graves e imprevisíveis, sobrecarregando os serviços de saúde. Já no caso recente da COVID-19, o cenário sem a vacinação em massa teria sido ainda mais devastador, com perdas humanas em proporções ainda maiores.
“O cenário que vemos atualmente, que envolve a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), nos mostra justamente isso. O número de pessoas vacinadas na cidade ainda não é satisfatório e isso tem causado uma sobrecarga significativa no HSV e nas unidades de Pronto Atendimento. Agora, imagine essa realidade em uma escala ainda maior — sem vacinas, esse impacto seria absolutamente insustentável. Além das mortes evitáveis, esse mundo sem vacinas significaria hospitais constantemente lotados, aumento de sequelas permanentes, interrupções em atividades sociais e econômicas e um clima constante de insegurança e medo. Crianças com paralisias, adultos com complicações respiratórias graves, famílias em luto — tudo isso seria parte de um cotidiano marcado pela ausência de uma das ferramentas mais eficazes da saúde pública: a imunização”, afirma a especialista.
Felizmente, vivemos em um tempo em que as vacinas existem, funcionam e estão ao alcance da população. Graças a elas, milhões de vidas são salvas todos os anos e doenças – antes temidas – são hoje preveníveis com segurança, eficácia e rapidez. “Mais do que um gesto individual, vacinar-se é um ato de responsabilidade coletiva. É proteger a si mesmo, aos seus familiares, colegas e às gerações futuras”, conclui a médica.

Vacinar é um passo essencial para manter a população segura e saudável

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